6.10.17

eu me vejo caindo em padrões repetidos e não faço nada
de tempos em tempos chego à conclusão de que as pessoas são todas repetições umas das outras

29.9.17

in the darkest night hour i search through the crowd

we don’t have forever
baby daylight’s wasting
you better kiss me
before our time has run out
nobody sees what we see
they’re just hopelessly gazing
baby take me
before they turn the lights out
before our time has run out
baby love me lights out

22.9.17

e digo mais

não acredito em ciclos mas ontem foi o ano novo judaico, né? coisa mais louca decidir em pleno 22 de setembro que meu ano novo começa agora.

e se não der certo tudo bem porque dia 9 é meu aniversário e terei mais um chance de começar um ciclo falso novo. e aí tem o ano novo de verdade. e tcharam, mais uma chance.

porque a gente segue se enganando, né, no matter what.

young bones grow and the rocks below say: throw your white body down

a música shakespeare's sister sempre me pareceu a melhor verbalização daqueles momentos e fases que tudo parece te dizer que você não vale a pena. tem cansaço, tem comparação eterna com todo mundo ao meu redor, tem coisas que eu escuto sobre mim que eu absolutamente não reconheço mas se tão dizendo que sou assim é porque devo ser, né? e quando a gente olha pra trás e percebe tanta mudança, supostamente pra melhor, pra ver no fim que você continua sendo a mesma pessoa, pra sempre. não importa como eu seja, como eu tente mudar, como eu me porte, no fim eu ouço as mesmas coisas.

o que as pessoas falham em ver é que tá todo mundo na merda. e eu tô aqui me esforçando pra não trasbordar meu esgoto nos outros, por pura consideração sabe, consideração pelas pessoas que tão cada uma aí vivendo seu próprio esgoto. não quer dizer que eu sou uma polyanna, não quer dizer que é fácil ser assim. é um puta esforço. ser a pessoa tranquila e divertida e de boa. é um PUTA esforço. pra no fim eu lidar com meu esgoto sozinha, dentro da minha cabeça, encostada no travesseiro, tomando banho, limpando a casa, andando com a cachorra, sempre. e ainda descobrir que todo meu esforço serve só pras pessoas me acharem fria e insensível.

e foda-se. podem me achar o que quiserem. eu não consigo ficar bem por mim e pelos outros o tempo todo. e honestamente não vou ficar bem por ninguém no momento.

em shakespeare's sister o eu-lírico evita se jogar nas pedras lá embaixo porque vai encontrar quem ama. e, né, muito morrissey isso, compensar toda a merda com amor. como se amor mudasse as coisas. pode ter amor, não muda a merda que a gente se sente em certos momentos. aí agora tô ouvindo essa música da haim, que é mais ou menos a mesma coisa. a primeira estrofe me remete totalmente ao primeiro verso da música dos smiths (que tá aí no título)

I hurl into the moment like I'm standing at the edge (I know)
That no one's gonna turn me 'round
Just one more step, I could let go
Oh and in the middle,
I hear the voices and they're calling for me now (I know)

mas elas dizem em algum momento que no one is ever enough. não tem amor nem nada nem ninguém que salve a gente da gente mesmo.

e seguimos caindo nesse abismo interminável que é a vida (e nossos mentes), né.

7.9.17

a algum tempo atrás li em algum lugar, provavelmente um blog, que deve ser bom assistir bojack horseman e rir desesperado por não estar entendendo nada - bem melhor do que rir de desespero porque entende tão bem.

sem nem saber que a nova temporada ia estrear nessa sexta, tenho voltado meus pensamentos pra esse série várias e várias vezes - semana passada quis rever todos os episódios mas não consegui por motivos de internet péssima, e me peguei me achando tão intrinsecamente parecida com o bojack. aquele desespero default do dia-a-dia, que a gente anestesia da maneira que pode, a série mostra tão sem pudores - e num universo tão surreal que faz mesmo a gente questionar a normalidade das coisas. porque, convenhamos, as coisas não são normais, a gente só finge que elas são o tempo todo pra conseguir, né, existir de maneira mais ou menos agradável.

o que eu não sabia era que parte da força da série está em sua ilustradora, lisa hanawalt - que eu acabei de conhecer, através do seguinte vídeo, que descobri graças a esse texto de um amigo.


ela conta um pouco sobre seu amor (ou obsessão) por cavalos, suas crises de ansiedade, e como o estar se sentindo mal, ou triste, ou incapaz, acaba servindo como tema pra seus projetos. uma coisa que ela fala nesse vídeo que me pegou muito, talvez porque eu esteja em um momento criativamente estagnado (não tenho conseguido escrever textos semanalmente aqui pro blog como eu havia me comprometido, não sinto vontade de escrever, de desenvolver uma ideia, parece constantemente que eu esgotei todas as possibilidades de pauta sobre as quais sinto que tenho capacidade pra escrever....), é que é preciso aprender a se deixar ficar triste, e se importar menos com como estamos nos sentindo enquanto trabalhamos ou produzimos algo, e focar no fato de que estamos, pelo menos, conseguindo trabalhar e produzir algo. não importa se é algo que ninguém vai querer comprar, ou ler, ou consumir - o que importa é que nossa energia criativa está em uso, e o resultado do nosso trabalho vai retratar algo sincero e relacionável.

ultimamente tenho enxergado em mim só o que me impede de criar: sou preguiçosa e pouco dedicada e não consigo me comprometer por tempo o suficiente pras minhas ideias darem em algo. esse tipo de pensamento, claro, me impede de escrever, ou trabalhar, porque, óbvio, se eu sei que não vou fazer direito e que sou incapaz, porque sequer tentar.

o que a lisa me mostrou nesse vídeo é que não há problema em usar esse sentimento como fonte pro seu trabalho. não tem problema, primeiro, em admitir: não estou dando conta. estou paralisado. não tem problema sentir isso e pensar sobre essa paralisia. e também não tem problema em usá-la como parte do seu trabalho criativo.

se meu trabalho é escrever, e estou paralisada, é ok escrever sobre isso. compartilhar a paralisia com quem estiver lendo, seja quem for, ou se você desenha, retratar sua paralisia numa ilustração, ou se você faz música compor sobre estar paralisado. esse sentimento é real e comum e não há nada de errado em tranformá-lo no seu trabalho. talvez seja um trabalho mais triste, melancólico, pessimista, ou esquisito do que você gostaria. mas você tá usando seu momento ruim pra produzir, e isso nunca é ruim.

e também tá tudo bem em produzir algo completamente pra você, que te ajude a se focar - então se você ainda não consegue realmente focar no trabalho mas tá meio obcecada por fazer uns bordados, se joga! mesmo que seu trabalho não seja bordar, que isso não vá te trazer benefícios financeiros ou ajudar a enriquecer sua carreira e suas experiências profissionais. faz, e faz bem feito. depois olha o que fez e fala "é, até que eu consigo fazer umas coisas com capricho sim", e usa seu orgulho no seu trabalho.

e eu achei que esse texto tava indo pra algum lugar mas não está, e estou feliz de tê-lo escrito mesmo assim.

4.9.17

eu não vou nem fingir que vou escrever todo dia em setembro esse ano, que não tá dando. posso mudar pra blog eberyday in january, que tal? em janeiro pelo menos tem férias né

28.8.17

why are you so petrified of silence?

tô completamente obcecada pelas meninas do haim esses dias, mas hoje..... hoje só alanis pra dar força.

'cause i've got one hand in my pocket, and the other is flicking a cigarette