28.7.17

tô amando essa nova vibe da selena gomez. sempre me incomodaram as tentativa de ser mais sexualizada dela, não pela sexualização em si, mas porque ela parece ter eternamente 12 anos e eu achava creepy demais ver uma menina de 12 anos tentando ser sensual. então gosto desse novo caminho que ela tá tomando pra tentar passar uma imagem mais madura - porque com essa carinha de baby, acredito que a fase sensual foi exatamente pra isso: passar a ser vista como adulta. foi o que brit e christina fizeram, e miley, e demi lovato, porque não deve ser fácil ser vendida como um produto da disney e depois tentar wash it off. na selena não funcionou porque, gente, qual é o segredo dessa menina pra ter essa carinha de pré-pubescente pra sempre????


 mas a nova estratégia, de deixar ela mais estilosa, mais chique, e de fazer uns clipes que são doidões.... essa tá dando certo. porque, sabe, eu gosto dessa selena. a selena que gosta de filmes de terror e faz um clipe, pra uma música pop, sem pé nem cabeça porém de terror. me lembrou um pouco de fiona apple, e seu clipe de fast as you can, e de criminal também. também me lembrou de leve a estética meio decadente dos clipes da sia, e senti uma pequena reminiscência à lana del rey e seu clipes meio glamour sujão. e me lembrou de leve adele também, especialmente o clipe de rolling in the deep com os copos todos vibrando.












e não tenho nem o que dizer sobre o clipe em que a versão adolescente de selena é apaixonada pela versão adulta loira de selena, que tem um caso com a versão homem de selena, que é casado com a versão adulta morena de selena, e eles são pais da versão adolescente de selena. a música é de cair o queixo de boa, e tem uma cena de bedroom dancing que, né, a gente acaba se identificando.



e tem uma versão das meninas do haim que, ó, é uma delicinha.




16.6.17

diálogo real em telefonema com instituição de ensino

- ~nome da escola~, bom dia

- oi, aqui é a melody, professora de inglês, tudo bem?

- oi! tudo bem sim e você?

- tudo! você pode me passar pra isabel, da informática?

- posso sim. quem tá falando por favor?

- hãn... melody? professora de inglês?


fiquei momentaneamente na dúvida sobre minha própria existência e sobre quem eu penso que sou. mas, né, vida segue.

24.5.17

vamos falar de coisas sérias: os entrelaces de buffy a caça vampiros

tô aqui encaminhada na sexta temporada de buffy a caça vampiros, e eis que minha amiga mari (será que vocês se lembram da mari?) se contagiou dessa ~~febre~~ e acabou de terminar a segunda temporada. temos tricotado alguns comentários vezenquando, e a sexta temporada tá boa d+, então o assunto está fresco na minha cabeça.

as três primeiras temporadas de buffy são geniais. o negócio é tão non-sense que buffy nos é apresentada sem explicação nenhuma - ela já é uma caça vampiros há alguns anos quando a série começa, e nunca se explica por que e como isso aconteceu. in medias res, aprendi na faculdade, é quando o leitor entra na história no meio dos acontecimentos. foi assim na odisséia, na ilíada, e, claro, em buffy a caça vampiros.

durante as três primeiras temporadas, buffy tem lutas extensas e cheias de ação com vampiros quando podia simplesmente enfiar a estaca e matá-los logo. essas cenas de luta são coroadas pela presença de dublês que são completamente diferentes dos atores originais, tipo com cara diferente e altura diferente e gênero diferente. porque claro que a gente não vai perceber que a magrinha e baixinha buffy foi substituída por um cara 30cm mais alto e uns 50 quilos mais forte que ela.

quando não tá lutando contra vampiros cruéis, buffy suspira pelos cantos por angel, o vampiro com alma que aparece aleatoriamente em alguns episódios do começo pra dar dicas pra buffy de onde encontrar os vilões e de qual é o objetivo deles (spoiler: o objetivo é sempre destruir o mundo, e sinceramente não sei como isso beneficiaria os vampiros e demônios no geral, afinal eles se alimentam de coisas do mundo???? tipo gente e, depois descobrimos na sexta temporada (spoiler), filhotes de gatinhos????). o angel nunca realmente ajuda assim e nem fala muita coisa e anda assim com uma postura meio corcunda porque acho que lá em 97 meninos corcundas de regata branca eram a tendência. pelo menos na primeira temporada ele ainda usa as tais regatas brancas, porque depois ele passa a usar umas camisas hor-ro-ro-sas, gemt, quem teve essa ideia?

enfim, angel é o predecessor do tal do edward: pálido, corcundinha, lábios vermelhos à la robert smith, regatinha branca e blazer despojado por cima. ele é sensível e apaixonante e completamente sem sal e nem fala nada assim muito interessante mas a gente se identifica na paixão da buffy mesmo assim por algum motivo.

aí passam as três primeiras temporadas, muitos fins do mundo que quase aconteceram, e buffy e seus amigos vão pra facool, e é isso que sempre estraga todas as séries. na facool eles são adultos então seguem algumas temporadas de dramas ~~adultos, o que quer dizer muita choradeira, muitos diálogos longos e sentimentais, todo um rolê desnecessário. até porque enquanto tudo isso acontece, buffy se apaixona por um cara que por acaso é de uma parte do governo americano que lida com vampiros e demônios e os captura, o que faz a gente pensar: "bom, buffy, você passou as últimas temporadas dizendo que daria tudo pra ser uma menina normal, taí sua chance, você pode deixar os soldadinhos do governo deal with this shit agora". mas buffy é sempre surpreendente e decide não apenas continuar lutando contra as forças do mal mas lutar contra os soldadinhos do governo TAMBÉM afinal uma mulher pode tudo.

aliás nas três primeiras temporadas buffy é substituída não por uma mas por DUAS outras caça-vampiros (resultantes da não uma vez mas DUAS vezes em que buffy morreu - e o ponteiro só sobe nas temporadas seguintes. nem fox mulder morreu e voltou dos mortos tantas vezes quanto buffy). já falei de faith, a caça-vampiros badass rebelde sem causa que depois devide se juntar aos bandidos, aqui e aqui.

e mesmo tendo uma mulher que pode tudo como protagonista da série - que é sobre uma das muitas e muitas e muitas mulheres escolhidas para lutar contra o mal desde o começo dos tempos (todas mulheres, nenhunzinho homem) - a série até a quarta temporada é bem machistinha? aquele humor 90s típico: falar que as pessoas fazem coisas "like a girl". toda hora dizem "you fight like a girl" "you run like a girl" "are you gonna cry like a girl?". inclusive tem um episódio que eu não consigo nomear de nada além de nojento, em que um cara tenta estuprar a buffy, mas ela é fodona e super forte e tal então consegue se livrar, mas fica, claro, em choque, triste, com raiva. quando chega na biblioteca (mais sobre a biblioteca em breve), onde seus amigos e seu mentor, o único adulto da série, estão e tenta contar pra eles o que aconteceu. eles reagem RINDO da cara dela, dizendo que existem coisas mais importantes do que os problemas delas acontecendo e comentando com buffy SEMPRE põe suas crises adolescentes superficiais antes de todo mundo e todo o resto. fiquei chocada, triste por mim, triste pela buffy, triste por tantas meninas.

quanto aos amigos na biblioteca, eles são o que eles mesmo nomeiam "scooby gang", e se ajudam a lutar contra o mal com magia, amor, amizade, a força de buffy e um ou outro vampiro que está temporariamente bonzinho. até a terceira temporada eles estão todos na escola, e giles, o mentor de buffy, é o bibliotecário, então claramente faz sentido que sejam na biblioteca os encontros pra falar de forças sobrenaturais e como derrotá-las e também para treinar golpes de luta. a escola e a biblioteca parecem estar abertas e disponíveis pra eles o tempo todo, a qualquer hora do dia ou da noite, e lá eles também são atacados por vampiros e todo outros tipo de demônios horripilantes. no dia seguinte todos estão na escola e está tudo bem e ninguém repara em nada porque, né, quem liga pra biblioteca.

outro point da turminha scooby é a baladinha da cidade, que curiosamente recebe adolescentes e adultos no mesmo ambiente. buffy e seus amigos vão lá pra ~~curtir~~, conversar, dançar, criar estratégias pra derrotar vampiros e estudar pra prova de matemática do dia seguinte. soubesse eu que uma balada tinha tantos usos teria aproveitado melhor meu tempo na juventude.

o legal dessa baladinha é que ela é muito espírito 90s: tem sempre uma banda meio indiezinha da hora tocando, a galera tá sempre curtindo, os visus das bandas são incríveis, as músicas são realmente BOAS, cara, as bandas são BOAS. sabe? uma época que tocava música boa nas séries pra jovens e adolescentes? música de verdade, bandas novas, pô, que saudade. also: ir à balada pra curtir uma BANDA, cara, taí algo que eu sinto falta das noites paulistanas, uma banda obscura, uma banda de verdade, legal, nova e boa, pôôôô, era maior legal.

curiosamente eles vão ficando adultos e deixando de frequentar a baladinha, e todo mundo vai morar na casa da buffy porque, né, normal. além disso agora buffy tem uma irmã chatíssima que é também um plot twist à espera de acontecer, e também meio que uma tristeza pela vida difícil desses roteiristas que tem que inventar 9dades pras séries sobreviverem mais um aninho aqui, um aninho acolá. isso, aprendi também na faculdade, é o tal do deus ex machina: quando do nada aparece um personagem do qual a gente nunca tinha ouvido falar e ele é a solução de algum conflito ou serve algum propósito importante na história (propósito do qual não sabíamos até o tal do personagem aparecer) que vai fazer os acontecimentos irem adiante. isso, também me foi dito na faculdade, é a maneira mais pobre de você resolver seu romance, seu poema épico ou sua série de sucesso.

mas tudo se soluciona na sexta temporada, que é tão boa que a gente perdoa tudo que toleramos até aqui. os dublês agora se parecem com os atores. as lutas tem propósito. não tem mais cenas sentimentalóides de 10 minuto,. os personagens parecem finalmente ter se encontrado em seus papéis e tá tudo muito bem desenvolvido. e tem um:

EPISÓDIO.
MUSICAL.

não há nada no mundo que não se perdoe com um episódio musical de buffy a caça vampiros. isso eu não aprendi na faculdade, é STREET SMART mesmo.





gente, tô pensando aqui em todas as bandas que só conheci e passei a amar por conta de blogs

smiths
mark lanegan, screaming trees
afghan whigs
recoil
man or astro man? (isso não é uma pergunta)
tori amos
fiona apple
siouxsie and the banshees
portishead
jeff buckley
jewel
mudhoney
nick cave
dinosaur jr
weezer
smog
lemonheads, evan dando
pavement
pixies
beck

essas foram as que consegui lembrar, e tudo bem, não é a seleção musical mais shiny happy people que a gente vai ver hoje, mas são bandas que fizeram e fazem parte intrínseca da minha vida, que moldaram minha visão de mundo, minhas opiniões sobre cultura pop, música, cinema, moda, estilo, posição política...... é uma pena, mesmo, que os blogs tenham outro papel atualmente, mas agradeço à maravilhosa interwebs por ter me presenteado com essas bandas.


assisti a primeira temporada de mr. robot e fiquei extremamente tocada pelo início do episódio 7, em que elliot conhece shayla ao som de the cure. o fim do episódio, em que ele salva tudo que ele hackeou dela como disintegration, partiu meu coração de leve também.

tentei achar a cena no youtube mas ela não existe na íntegra, e o que me tocou foi mesmo o rolê todo, a conversa toda dos dois, primeiro dentro do apartamento e depois na escada do prédio, achei tão lindo o the cure tocando ao fundo, a trilha sonora que depois vira o nome do cd que contém a shayla, achei tão mágico eles se conhecerem assim, e the cure tocando sem parar no background, tocando pra mim, porque trilha sonora é assim, não toca pros personagens mas toca pra gente, pra quem tá assistindo.

outro dia, e completamente não relacionado ao the cure, (mas relacionado ao chris cornell, que também causou momentos importantes essas semanas), me peguei ouvindo screaming trees, me peguei batendo cabeça na sala e dançando sozinha, e me peguei com saudades do mark lanegan, com saudades de como eu era quando ouvi a primeira música dele na vida, saudades de como ele cantava e preenchia meu ser, saudades de ser compreendida e contida nas músicas dele. a gente vai crescendo, né, e as músicas continuam lindas e tristes e intensas, mas talvez aos poucos a gente deixe de ser tão lindo e triste e intenso.

mas screaming trees continua sendo a maior banda do grunge pra mim, e i nearly lost you continua causando umas catarses aqui desse lado da tela.

ainda na vibe música e como a gente muda mas as nossas músicas continuam aí, intactas, resolvi vasculhar os porões da interwebs e achei o blog, inteirinho, da "miss belle x", que depois virou lolla moon e hoje escree aqui. reler o cantinho terrorista me lembrou de ser adolescente, de amar música e odiar o resto das coisas todas, e de se encontrar um pouquinho em músicas do the cure (e do smiths e do roy orbinson e em tantas outras). vez em quando entrava também nos arquivos do que tinha sobrado do blog encaixotando deanna, onde, inclusive, conheci o mark lanegan, o leonard cohen, o afghan whigs.... tenho pensado nessa coisa de ter blog e em como os blogs me ajudaram tanto a definir quem eu era. que loucura, né, que uns sitezinhos pessoais toscos (na época, em 2001, 2002, eram toscos) que a gente tinha que editar na mão mexendo no html podiam ter tanto impacto nas nossas vidas.

acho uma pena que a ~~juventude~~ de hoje não vai ter a relação com blogs que eu tive e que foi tão essencial pra mim. e acredito que a maioria deles não vai ter essa relação com música também. vejo a maioria dos meus alunos tão estagnados em relação à cultura pop - até os mais alternativinhos, que gostam de rock, se bastam nas bandas de fácil acesso, no tal do classic rock e no rock de 89fm de hoje em dia. como lidar com uma juventude que jamais vai usar a internet pra descobrir coisas como jeff buckley, pixies, smashing pumpkins.... como lidar com uma juventude que se contenta em consumir o presente do jeito que ele é nos enfiado goela abaixo?

talvez eu esteja só ficando velha e assimilando aquele discurso horroroso do "no meu tempo......", mas é o que eu sinto e é o que eu vejo (e nem posso mesmo sair bradando esse discurso, porque não é do meu tempo que eu gostaria que esses adolescentes se apropriassem, mas de tempos anteriores a mim também, e de todo o potencial de ter a internet nas mãos, e de toda a música maravilhosa espalhada por aí mas que a gente tem que se esforçar um pouquinho pra encontrar....)

18.4.17

thirteen reasons why


numa semana fui embora da escola onde dou aula toda quinta-feira e a última grande comoção netflixiana ainda era stranger things, lá do ano passado; cheguei na escola na semana seguinte e todo mundo não apenas já conhecia, tinha visto todos os episódios três vezes da nova série hit thirteen reasons why. eu, como professorinha modernex milennial, preciso me manter atualizada pra continuar cool entre os alunos, então fui ver sabendo mais ou menos por cima que era sobre suicídio e adolescentes.

é muito louco ver o tempo passar.
é muito louco ver as coisas mudarem, é muito louco assistir discussões surgindo, gente e situações novas sendo retratada
é muito louco ver na tv, na internet, coisas da vida real sendo tratadas da maneira que elas devem ser tratadas.

estou no momento no episódio 3 da série, e tava gostando até agora: personagens maravilhosos, bem escritos, uma narrativa interessante, tudo ótimo. mas aí começou o episódio 3. e eu finalmente entendi quão maravilhosa essa série é.

é muito difícil assistir programas sobre adolescentes e realmente entender aquele dramalhão todo. nós, adultos, supostamente já passamos por isso e hoje temos um olhar diferente sobre relações, sobre nós mesmos, sobre quem somos no mundo e de quanta aprovação precisamos. é fácil esquecer aquele mundo minúsculo da escola onde as coisas te afetam de maneira gigantesca e você é subestimado pelos adultos ao seu redor.

pequena sinopse sem detalhes e sem spoilers: hannah descobre que seu suposto amigo fez uma lista de "tops" da sala e ela ganhou: melhor bunda. as outras meninas, especialmente a que foi eleita dona dos melhores lábios, parecem felizes, mas a hannah se sente: 1. traída pelo amigo; 2. exposta na frente do resto dos alunos de maneira invasiva e sexual; 3. magoada bagarai.



quando eu tinha uns 12, 13 anos, um menino da minha sala chamado pedro fez uma lista dessas. já falei disso nesse post de maneira levemente mais humorada do que vou fazer agora. eu entrei na lista, assim como a hannah, na incrível posição de menina de 12 anos com a melhor bunda. as meninas que vieram me mostrar a lista (mônica, dona do melhor rosto, e flora, dona das melhores pernas - me pergunto se elas sequer lembram disso) pareciam felizes, mas eu não consegui expressar a vergonha que eu senti, o self-loathing, a tristeza.... não falei com ninguém porque, né, como eu podia estar triste com uma coisa dessas? um elogio ainda por cima!

esse mesmo garoto, pedro (nome real, já comentei aqui que não acredito nessa de #meuamigosecreto. pedro, se você por acaso cair aqui, eu sou a melody, lembra de mim? pois é, vai tomar no cu, obg), um ou dois anos antes, passou dias e dias dizendo pra todos da sala que eu era feia como uma bruxa, que meu nariz era gigantesco e horroroso como o de uma bruxa, que eu era uma bruxa, etc etc.

primeira lição COMPLETAMENTE TORTA que eu aprendi na vida: quando alguém tá te enchendo o saco, te ofendendo, espalhando mentiras sobre você é porque tal pessoa quer chamar sua atenção; ignore que o bully desencana. não sei que comitê dos pais desajustados ensina essas coisas pras gerações seguintes. migas, atenção: se alguém tá te torrando o saco, fazendo bullying, fazendo você querer desaparecer essa pessoa é uma escrota que quer por motivos de inferioridade espiritual, intelectual, humana e sexual fazer você se sentir inadequada. você não é inadequada, seu coleguinha que é um trouxa escroto então não ignore: conte para alguém imediatamente. conte para várias pessoas. se continuar acontecendo continue contando. eu sei que é foda porque os ~~adultos~~ subestimam os problemas dos mais jovens, descartam tudo como "fase", como "brincadeira", como "coisa de menino". continue tentando. mais cedo ou mais tarde você encontra um adulto que, como eu, se sentia horroroso por motivos de apenas existir, e que vai te ouvir.

pois bem, após ignorar o pedro por alguns dias e perceber que a verdade adulta que me passaram não era realmente verdadeira, fiz a segunda coisa lógica: contei pra minha professora da quarta série, maria amélia. "professora, o pedro tá faz dias dizendo tal coisa tal coisa tal coisa me chamando de briuxa dizendo que meu nariz é horroroso etc etc" (pessoa aqui já chorando SEM A MINHA PRÓPRIA PERMISSÃO porque meu corpo se completa de maneira desvairada e quando eu tento dizer algo importante que me machuca eu choro e aí não parece importante, parece manha. eu odeio meu corpo, eu odeio reagir desse jeito. eu só queria ser levada a sério), ao que maria amélia chama pedro pra resolver o dilema e diz QUOTE UNQUOTE "pedro, você sabe que quando um menino fica pegando no pé de uma menina é porque ele gosta dela né" e fim pedro nunca mais disse um pio sobre mim e foi amigável até nossa formatura no terceiro colegial apenas por medo de que alguém achasse que ele gostava de mim.

e eu aprendi, na quarta série (mesmo ano em que menstruei pela primeira vez, que bela entrada no mundo feminino), que quando um homem te trata mal, ele gosta de você. pedro aprendeu a mesma lição, trate mal só quando gostar.

muito obrigada, professora maria amélia, por essa grande lição aprendida (e se bobear minha única memória da quarta série).

e obrigada, thirteen reasons why, por quase 20 anos depois, me mostrar que isso é algo que muita mulher aguenta. tem muitas de nós por aí engolindo sapo, tem muitas de nós sendo assediadas enquanto tudo é visto como "elogio" ou "brincadeira" ou "coisa da idade", tem MUITA menina sem coragem de contar pra um adulto porque sabe que eles vão descartar como bobagem.

pode ser bobagem, pode não ser. eu tive sorte de ao longo de todo meu caminho escolar e adolescente ter tido sempre um ou dois grandes amigos comigo, amigos tão "inadequados" quanto eu. eles ficaram pra trás, meus amigos mudam conforme mudam as fases da minha vida, mas são sempre os ideais pra mim naquele momento. mas tem gente que não tem essa sorte. tem gente que se sente sozinho 24/7.

outra sorte que tive foi de uma mãe que sempre me disse: se tem alguém tentando de deixar mal, se tem alguém te criticando, te fazendo sentir feia, gorda, esquisita, mal de qualquer jeito, o que for: isso é com eles, não com você. a palavra que minha mãe usa é inveja, não sei é isso mesmo, mas point is: alguém tá tentando se sentir bem ao fazer você se sentir mal. se essa é a única maneira que essa pessoa tem de se sentir melhor, pobre dela. you do your thing. demorei muitos e muitos anos pra realmente assimilar isso e por em prática, mas ainda bem que ouvi isso desde sempre.