4.9.15

tenho pensado muito essa coisa de ver séries e em como isso é tão claramente um símbolo da nossa geração, e lembrei de uma época quando eu ainda estava na escola que foi quando eu descobri que existem pessoas que simplesmente nasceram pra ver séries.

porque tipo, série sempre teve. tinha i love lucy, tinha fresh prince, tinha plantão médico, tinha doctor who, sempre teve série e sempre teve gente fissurada por alguma delas. acontece que eram interesses pessoais, não necessariamente indicativo de uma  ~geração série de tv~. claro, netflix ainda nao tinha sido inventado, hbo ainda não tava fazendo suas produções de série maravilhosas, etc. mas na tv a cabo desde a minha infância já tinha canais especializados em passar série: sony, warner, fox. só que a gente via as séries meio que como reprises, a gente não aguardava estréias, a gente não condenava spoilers. quantas vezes eu vi o mesmo episódio de buffy sem nem ligar? e quantas temporadas de E.R. eu acompanhei ao mesmo tempo na warner, na época que eles passavam uma temporada diferente a cada duas horas na programação? e quantos episódios de arquivo x TO BE CONTINUED nunca foram continuados na, sei lá, record?

a cultura era outra.

mas eu descobri que eu, como algumas outras pessoas da minha geração (e com o advento das redes sociais eu descobri depois serem MUITAS outras pessoas da minha geração) havíamos simplesmente nascido pra ver séries. todas elas. pra esperar um episódio, pra amaldiçoar os cliffhangers, pra conversar excitadamente sobre o episódio da noite anterior.

isso eu descobri quando, na escola, um dia, meu amigo eugênio descobriu que eu assistia tru calling.

tru calling era uma série genial por alguns motivos.

1 - protagonista mulher
2 - protagonista mulher que trabalha em um necrotério
3 - protagonista mulher é nada mais nada menos que eliza dushku, ex caçadora de vampiros e arquiinimiga/girl crush/sexual tension causer de buffy
4 - protagonista mulher SEES DEAD PEOPLE. ALL THE TIME.
5 - protagonista mulher tem o poder de voltar no tempo
6 - JASON PRIESTLEY EX BARRADOS NO BAILE
7 - ZACH GALIFIANAKIS AKA HUMORISTA QUERIDINHO DA GALERA




also, o nome da série é incrível pois: tru = nome da protagonista. tru calling é um trocadilho com o nome dela e a palavra verdade, deixando tantas opções pra nossa interpretação que tá causando até um buzz no meu cérebro!!! pode significar que o chamado verdadeiro da tru é esse poder de voltar no tempo e ajudar gente morta, pode significar os mortos chamando por tru pra que ela os salve, pode significar a tru voltando no tempo e chamando as pessoas de maneira figurativa e metafórica (porque ela não fala ~ow, cola aqui senão você vai morrer logo mais~) mas também de maneira literal porque ela se aproxima das pessoas e as ajuda a não morrer. enfim, tantas possibilidades!

uma vez por semana eu e eugênio chegávamos na aula animadíssimos, prontos pra conversar sobre todos os promenores de tru calling, pra discutir o que aconteceria no próximo episódio, pra morrer de raiva quando a série foi cancelada num momento de extrema importância.... enfim, dois adolescentes que tavam levando aquele negócio muito a sério. as pessoas que não assistiam tru calling nos olhavam com a mesma cara que eu olho pra alguém cujos gostos eu não compreendo, que era um olhar mais ou menos assim:


mas o que eu acho mais legal é que a eliza dushku passou de um programa onde ela precisava matar gente morta


pra outro em que ela revivia gente morta


isso sem contar o estágio dela em doll house, onde ela sofreu uma leve lavagem cerebral por uma corporação que queria se aproveitar apenas dos talentos físicos dela como lutar, matar pessoas, ser linda, etc, mas não pelas ideias que ela guardava em seu cérebro. 


e não vamos esquecer da fase cheer leader



fase essa que ela tentou evitar mas foi convencida por uma certa mocinha loira


que já havia convencido todas suas irmãs a se matarem


se infiltrou na casa branca e ajudou a desmascarar o presidente nixon numa adolescência vintage


e foi maria antonieta numa vida passada


frente a tal personalidade, tudo que a gente faz é aceitar que seremos uma cheer leader, mesmo com histórico de esquartejar demônios e viajar no tempo.


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