14.12.15

sabe o começo do clipe de ldn, da lily allen, que ela entra na loja de discos e fala "hi i'm just wondering have you got any kind of like sort of punky eletroctronica kind of grime, kind of like new wave grime, but kind of maybe like more broken beats, but kinda dubby broken beats, but a little bit kind of soulful, but kind of drum and bassy, but kinda more broken drum'n'bass like more broken beats, but break beat kind of broken drum'n'bass, kind of.... do you know what i mean?"

bom, essa é uma cena com a qual eu me identifico demais e faz meses que eu tenho querido ouvir alguma coisa meio assim soulful, mas com uma batida divertida e dançante, dessas que batem dentro do coração sabe, e também com um certo groove e também uma pitada de elegância, uma coisa com uma pitada de blues, mas mais pop, mais moderno, e com letras bem escritas..... se alguém puder me ajudar na busca por esse ~som~eu vou estar agradecendo deveras.

por hora decidi ouvir o phrenology do roots, e depois vou ouvir um pouco de alabama shakes e quem sabe yo la tengo; vamos ver se esse combo satisfaz minha vontade de ouvir algo eclético mas único e moderno mas com uma vibe antiga, às vezes é tão difícil acertar na música né, especialmente quando tudo que a gente tem no computador no celular nos cds nos vinis simplesmente não é a coisa exata que a gente quer ouvir (muito provavelmente porque a gente já ouviu todas essas coisas tantas vezes que uma hora elas simplesmente não servem mais)




mas é isso, no momento estou exatamente nessa vibe do roots e lembrei que o show deles no planeta terra foi uma das coisas mais maravilhosas que eu assisti na vida (mas talvez eu diga isso de todos os shows que eu vi) e talvez meu estado de sobriedde não estivesse lá a 100%, mas eu lembro de apenas curtir d+ a atmosfera toda, e todos dançando, e aquela banda incrível tocando música assim MEANINGFUL sabe. claro que nçao tenho registros porque eu só tiro fotos de coisas completamente aleatórias (vide post anterior) e coisas como shows e viagens ficam registrados somente na minha memória porque, gente, meu cérebro simplesmente esquece da existência da câmera do meu celular quando desses momentos importantes. o que por um lado é bom porque eu tô lá curtindo a experiênca ~em sua totalidade~ ao invés de perder meu foco tentanto registrar uma suposta experiência pra que outros vejam. por outro lado é tristíssimo porque cá estou eu tentando falar sobre um show sem ter uma única fotinho pra exibir.

mas enfim, o show foi: apenas maravilhoso.

aqui uma foto que eu roubei do google



mas também o que dizer de uma banda que tem questlove como membro, né, apenas um dos maiores músicos dos nossos tempos e de tempos anteriores também e muito provavelmente de tempos futuros. pensando em tudo isso lembrei daquela série de seis artigos que ele escreveu sobre hip hop, how hip hop failed black america, e são textos tão maravilhosos, tão claros; toda uma visão com lógica e profundidade e uma capacidade de problematizar a música negra e seu papel cultural sem descartar uma história musical da qual ele próprio faz parte, tão bonito de ler (embora eu não concorde com tudo, especialmente quando ele fala sobre a questão da ostentação no hip hop e como essa temática não conversa mais com o público que o hip hop deveria contemplar - eu sou sempre pró-ostentação quando ela parte de comunidades que o status quo espera que não tenham nada).

em outras notas, por causa da minha remexida em textos, blogs e arquivos antigos, achei esse testimonial que uma amiga minha mandou nos tempos de orkut (sdds), mais precisamente em 2007

Aqui vai uma dica pra quem quer puxar conversa com a Melody: Quando estiver passando por ela grite de repente: MODERNISMO!!!

pronto. Um jantar na certa.

em 2007 eu estava no segundo ano da letras, finalmente começando a curtir a faculdade e a fazer amigos, e principalmente completamente maravilhada pelas aulas de literatura brasileira com a professora yudith, em que eu estava estudando modernismo. criei toda uma relação com o macunaíma nessa época que realmente definiu minha personalidade naquele momento, toda uma identificação literária, todo um amor por letras minúsculas e por uma certa incoerência gramatical que acho tão mais válida pros nossos tempos, todo aquele descaso com concordância que combina direitinho com o funcionamento do meu cérebro, enfim.

esse meu ~caso de amor~ com modernismo continua, mas acho que agora, num momento da vida que eu tenho lido só fantasia e normalmente britânica (ou japonesa, olá murakami, eu não te esqueci), minha relação com o modernismo ficou muito mais, digamos, visual?

e talvez eu nem esteja falando necessariamente de modernismo, se considerarmos que meu artista preferido atual é o keith haring e ele veio depois das coisas todas das vanguardas, mas ao mesmo tempo ele meio que é modernista, né, como a maioria dos artistas pop a partir dos anos 60 - toda a escola andy warhol de fazer arte, digamos, que querendo ou não acho que é a grande representação da arte da segunda metade do século XX. anyway, é com isso que eu me identifico agora, com as cores, as formas, as referências à cultura pop de massa, uma espécie de desglamurização da arte que os mdoernistas até tinham tentado, mas foram os artistas posteriores que conseguiram, né.

e aí eu pensei nessa bolsa do roy lichtenstein que eu comprei no tate modern e carrego pra lá e pra cá cheia dos meus materiais da escola


e na verdade lembrei de tudo isso porque aconteceu uma coisa que foi a seguinte:

um dos meus murais no pinterest é, claro, um mural dedicado à moda. ele tá cheio de coisas que eu adoraria vestir se tivesse dinheiro e, bom, lugares pra ir que não fossem as duas escolas onde dou aula pra crianças e adolescentes. entre as (sem brinks) 664 imagens salvas há as seguintes saias maravilhosas


como vocês podem notar, toda um reincidência do tema arte abstrata. esses dias achei precisamente o que em uma loja? essa saia que foi apenas feita para mim


pensei seriamente em combinar ela com minha camiseta do keith haring e sair por aí vestida de arte vanguardista - aí era só colocar a bolsa do lichtenstein e de repente quem sabe até arranjar essas meias da frida kahlo



e ~voilà~ um look pedante fashion direto da minha casa para algum café-sebo-livraria modernete da santa cecília (que me parece ser a nova vila madalena, mas com ainda mais pedância, mais esforço no rolê cult-intelectual-moderno, pra que isso, gente)

mas é brinks, gente, eu sou uma menina fashion forward e cool, e essa saia é maravilhosa d+ pra virar um look trying-too-hard, a ideia é canalizar uma vibe francesa cool, algo tipo um passeio na riviera francesa co um pão embaixo do braço e um cigarro elegantemente despojado nos lábios, saca? tudo isso enquanto um the roots toca ao fundo, porque de algum jeito eu tinha que amarrar os tópicos desse post.

also, já saí do phrenology e agora tô curtindo isso aqui



que talvez seja o acompanhamento perfeito pra uma saia-arte-abstrata

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