11.11.16

felizmente não há espaço para remorso nessas pobres reflexões

ontem disse que se eu pudesse voltar no tempo e mudar uma única coisa da minha vida seria o dia em que, com ingressos comprados, eu e mari não fomos ao show do hanson. eu voltaria no tempo e convenceria a mim mesma e a mari que ir ao show seria mais benéfico que não ir. mesmo com tudo que estava acontecendo, com a inércia da vida, com as influências me arrastando para o buraco negro da existência, eu levantaria minha bundinha triste e iria.

hoje só consigo pensar que leonard cohen morreu de desgosto. com a vida agora, com tudo isso, com o buraco negro agora concreto, engolindo a todos nós, com toda essa loucura triste dominando o mundo. mas tenho certeza que se ele quisesse ir ao show do hanson, teria ido. nem que só pra escrever um poema objetivamente melancólico depois.

wwlcd?

ele levantaria, iria ao show, fumaria cigarros, iria comer em alguma lanchonete decadente depois, escreveria um poema num guardanapo engordurado, se mudaria de montreal para índia, e depois coréia, depois noruega, depois pensaria nas suas roupas velhas e seus velhos amigos e a velha montreal e seu cachorro e escreveria um poema.

mas não haveria espaço para remorso na pobreza de todas essas reflexões.

e é isso que eu almejo.
e você, cohen, você conseguiu.

this is for leonard cohen, wherever you are. and this is for nina simone.
e eu também vou dedicar isso (isso que tenho dentro de mim, seja lá o que for) a jeff buckley.




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